Incluir os riscos psicossociais no PGR parece abstrato até você dividir o trabalho em etapas. A NR-01 pede que a empresa identifique os perigos, avalie os riscos, registre tudo no inventário e acompanhe um plano de ação. Para fatores como sobrecarga, pressão por metas e conflitos, a matéria-prima vem de três fontes: questionários, entrevistas e indicadores.
Este guia mostra como combinar as três em uma pequena ou média empresa, sem transformar o processo em uma pesquisa acadêmica.
Antes de começar: o que o PGR precisa mostrar
Desde 26 de maio de 2026, os fatores de riscos psicossociais fazem parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais exigido pela NR-01. Se você ainda tem dúvidas sobre prazos e multas, leia antes nosso artigo sobre NR-01 e riscos psicossociais: o que muda para a sua empresa.
O ponto central é este: o mapeamento avalia a organização do trabalho. O Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), deixa claro que o foco está nas condições de trabalho. A empresa não precisa diagnosticar a saúde mental de ninguém, e nem deve tentar.
Passo 1: monte a equipe e defina o escopo
Defina quem conduz o processo. Normalmente, o SESMT ou uma consultoria de segurança e saúde no trabalho (SST) lidera a parte técnica. RH e lideranças entram com acesso a dados e com a mobilização das equipes. O guia do MTE prevê a participação dos trabalhadores, então inclua representantes da CIPA, se a empresa tiver uma.
Em seguida, separe os grupos de avaliação. Junte funções com rotinas parecidas: atendimento, operação, vendas, administrativo, gestão. Grupos muito pequenos comprometem o anonimato, então junte setores quando necessário.
Passo 2: aplique um questionário
O questionário dá escala ao mapeamento. Ele permite ouvir todo mundo e comparar setores.
Qual questionário usar
Segundo o documento de perguntas e respostas publicado pelo MTE em 2026, a norma não exige uma ferramenta específica. A escolha cabe à empresa e ao profissional de SST. Na prática, consultorias costumam usar instrumentos já validados em pesquisas sobre estresse e organização do trabalho, adaptados à realidade da empresa. O importante é que as perguntas cubram os fatores relevantes:
- volume de trabalho e ritmo;
- autonomia e controle sobre as tarefas;
- clareza de papéis e metas;
- apoio da liderança e dos colegas;
- reconhecimento;
- relações interpessoais, conflitos e assédio;
- jornada, pausas e equilíbrio com a vida pessoal.
Como garantir respostas honestas
- Garanta anonimato real e explique como ele funciona.
- Comunique o objetivo: melhorar as condições de trabalho.
- Não mostre resultados de grupos com poucas pessoas.
- Trate os dados conforme a LGPD, com acesso restrito.
- Avise quando e como o resultado será devolvido às equipes.
Passo 3: aprofunde com entrevistas e grupos
O questionário mostra onde está o problema. As conversas mostram por que ele existe.
Use entrevistas individuais com lideranças e grupos focais com trabalhadores de um mesmo setor. Um roteiro simples funciona bem:
- O que mais atrapalha o seu trabalho hoje?
- Em que momentos a carga fica pesada demais?
- Você sabe o que se espera de você e como será avaliado?
- Quando surge um problema, a quem você recorre?
- Já presenciou ou viveu situações de desrespeito ou constrangimento?
Quem conduz deve ser alguém neutro, de preferência fora da linha hierárquica do grupo. Registre os temas que aparecem, sem identificar quem falou.
Passo 4: cruze com os indicadores da empresa
Indicadores dão objetividade ao mapeamento e ajudam a acompanhar o plano de ação depois. Olhe por setor e por período:
- absenteísmo e atestados médicos;
- afastamentos e seus motivos, quando disponíveis de forma agregada;
- rotatividade e pedidos de demissão;
- horas extras e banco de horas;
- queixas no canal de denúncias ou na ouvidoria;
- acidentes e incidentes.
Um setor com muitas horas extras, alta rotatividade e respostas negativas sobre carga de trabalho tem um sinal claro. Quando os dados se contradizem, volte às entrevistas.
Dados de saúde ajudam, desde que agregados
Dados de uso de benefícios de saúde podem complementar a análise, desde que cheguem agregados e anônimos. Informação individual de saúde não deve circular entre gestores.
Passo 5: avalie e classifique os riscos
Com as três fontes em mãos, o profissional de SST classifica cada fator de risco por grupo. A lógica é a mesma dos demais riscos da NR-01: combinar a probabilidade de ocorrência com a gravidade das consequências. O resultado define as prioridades do plano de ação.
O guia do MTE recomenda integrar esse trabalho à NR-17, começando pela Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP). Quando a situação exige mais profundidade, a Análise Ergonômica do Trabalho (AET) entra em cena.
Passo 6: registre no PGR e monte o plano de ação
Para cada risco relevante, o inventário deve trazer o grupo afetado, a fonte do risco, a avaliação e as medidas de controle. O plano de ação precisa de responsável e prazo.
Exemplos de medidas:
- redistribuir tarefas em setores sobrecarregados;
- revisar metas com base em dados de capacidade;
- definir papéis e fluxos de aprovação;
- treinar lideranças em gestão de equipes e prevenção ao assédio;
- criar ou fortalecer canais de escuta.
Lideranças preparadas fazem diferença em quase todas essas medidas. Veja como estruturar isso em assédio moral e sexual: o papel da liderança na prevenção.
Passo 7: devolva, acompanhe e revise
Apresente os resultados gerais às equipes e conte o que vai mudar. Isso aumenta a adesão na próxima rodada. Reavalie os indicadores periodicamente e atualize o inventário quando houver mudanças relevantes na organização do trabalho.
Onde a S2 entra
A S2 Benefícios oferece um benefício de saúde corporativo com telemedicina 24h e descontos em consultas, exames (até 70%) e farmácias. A S2 não é plano de saúde. A empresa recebe indicadores de uso agregados e anônimos, em conformidade com a LGPD, que ajudam no passo 4. O SaúdeFlix, streaming de bem-estar e saúde mental, apoia campanhas de comunicação interna e treinamentos previstos no plano de ação.
A S2 também elabora o PGR, mas não assina o documento. O gerenciamento de riscos é responsabilidade da empresa, com apoio do SESMT ou de uma consultoria de SST.
Perguntas frequentes
O MTE exige um questionário específico para riscos psicossociais?
Não. Segundo o documento de perguntas e respostas do MTE, a norma não exige ferramenta específica. A empresa escolhe o método com o profissional de SST, desde que ele permita identificar e avaliar os fatores de risco.
O questionário precisa ser anônimo?
A norma não fixa um formato, mas o anonimato é a melhor forma de obter respostas sinceras. Também reduz riscos no tratamento de dados pessoais sob a LGPD.
Com que frequência devo refazer o mapeamento?
O PGR precisa ser revisado periodicamente e sempre que houver mudanças relevantes, como reestruturações, novas metas ou aumento de afastamentos. Defina a periodicidade com o SESMT ou a consultoria de SST.
Quer um ponto de partida para o seu mapeamento? Faça o diagnóstico NR-01 da S2. Atendemos empresas a partir de 3 colaboradores, com teste grátis de 7 dias.
